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Olá, maker! Se você quer as primeiras camadas da sua impressão o mais planas possível, você precisa de uma mesa de impressão bem nivelada. Muitos usuários mostram na internet como é possível utilizar um pedaço de papel e arrastá-lo entre o bico de impressão e a mesa, até perceber alguma resistência ao movimento e decidir, assim, se aquele ponto da mesa precisa ser ajustado. Porém, a fim de tornar esse processo bem mais engenhoso, imprimimos esta ferramenta!

Na prática, ela é um perfilômetro de ponto único. Um perfilômetro é um instrumento mecânico (puramente, ou com uma eletrônica associada) com um arranjo de engrenagens e molas, que indica diferenças de altura em uma superfície. Essas diferenças são minúsculas, invisíveis ao olho nu.


Se você quiser, por exemplo, imprimir engrenagens em 3D, muito provavelmente não conseguirá imprimi-las tão pequenas como se as tivesse feito por processo de usinagem (desbastar uma peça sólida de material até que ela atinja a forma desejada). Isso resulta em maiores folgas entre peças do que se você as fizesse por outros processos de fabricação que não impressão 3D. E, como bem sabemos, tais folgas são as inimigas da precisão. Além disso, se você for fazer uma impressão print-in-place (impressão única de um modelo com peças móveis), as folgas serão ainda maiores. E, sendo a técnica print-in-place um dos grandes atrativos da impressão 3D, é algo que sem dúvida alguma queremos utilizar!

Portanto, imprimir um mecanismo convencional para nivelar a mesa (ou seja, utilizando engrenagens e outras peças móveis) exigiria impressões maiores que o desejado. Felizmente, temos uma carta na manga: mecanismos conformáveis, algo muito utilizado no mundo da impressão 3D! Mecanismos conformáveis são peças únicas com partes finas e elásticas, capazes de se dobrar.

Ao invés de utilizar engrenagens e juntas, que podem apresentar folgas consideráveis, a peça em questão foi projetada para se dobrar de uma forma bem específica. No que se refere a princípio de funcionamento, estamos usando a aplicação reversa da alavanca de Arquimedes: ao invés de atuarmos com uma força na ponta de comprimento maior (e assim ter maior força na outra ponta, ao custo de menor amplitude de movimento), o ponto de atuação é o comprimento menor, nos permitindo amplificação do movimento na outra ponta. Essa amplificação de movimento vem ao custo de se exigir uma força maior para executá-lo, mas as partes conformáveis da peça são impressas finas o suficiente para que essa força não impeça seu funcionamento. Podemos dizer que estamos usando uma “desvantagem mecânica”, ao invés da vantagem mecânica característica da alavanca. O ponto pivotante do mecanismo é formado pelo encontro de duas estruturas com somente um filamento de espessura, que são as partes conformáveis da ferramenta.

Essa técnica nos dá duas vantagens. Primeiramente, as partes de plástico que precisam ser dobrados são finas o bastante para permitir atuação sobre elas. Em segundo lugar, os pontos pivotantes podem ser muito menores do que seriam em peças móveis. Normalmente, se você tem partes que estão a menos de 0,3mm uma da outra, elas vão acabar se juntando no processo de impressão. Entretanto, como neste modelo as camadas são interdigitadas verticalmente (alternam-se camadas com e sem os filamentos conformáveis), essas partes podem estar a somente 0,1mm de distância uma da outra.

E por hoje ficamos por aqui! Esperamos que tenham gostado da técnica descrita neste artigo, e que ela possa te auxiliar a ter mais qualidade na hora de imprimir suas peças! Até o próximo blog. Um abraço!

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